segunda-feira, 24 de março de 2014

abstração

Eu tenho entregado um pedaço da minha alma, na tortura e na angustia dos bons frutos. Ela queima, ela grita, ela vira e revira. Anseia pela paz enquanto está perdida em meio ao caos. Abro meus olhos e as sombras ao redor me cegam. Minhas portas não se abrem mais. Trancafiada dentro do próprio medo. As chaves se perderam. Lágrimas que não lavam uma alma e não trazem esperança. Tamanha sede, insaciável, e um mísero punhado de água que se esvai por entre os dedos, na tentativa em vão de segurá-lo. Apenas observa-se com a sensação de incapacidade. É se agarrar no nada esperando tudo.

terça-feira, 4 de março de 2014

black hole

Você está sentado. Com mãos e pés devidamente atados. Um anseio interminável por algo não perceptível. O chão abre-se em meio aos teus pés. Você não tem equilíbrio. Não há nenhum modo de segurança. Tudo desmorona a sua volta e não existem sobreviventes no recinto. Repousar num conforto digno de calmaria é um luxo que muitos não alcançam. Sua cadeira pende na beira de um precipício. Uma hora ela não hesitará em despencar. Apague as luzes e feche as portas. A obscuridade prosseguirá no interior dos teus olhos. Só há propagação de almas ocas. Enfastiado do vazio.

"My secrets are burning a hole through my heart and my bones catch a fever. When it cuts you up this deep, It's hard to find a way to breathe. [...] I'm at the edge of the world! Where do I go from here? Do I disappear? Edge of the world. Should I sink or swim? Or simply disappear?"